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Quem já viveu o desconforto de uma janela que trava repentinamente durante um dia muito quente, ou que começa a apresentar frestas indesejadas na chegada do inverno, conhece bem o fenômeno: o alumínio, embora seja um material excelente para vãos externos, reage fisicamente às mudanças de temperatura. Esse movimento, chamado de dilatação térmica, é uma propriedade natural dos metais e, quando não previsto corretamente na instalação, transforma uma esquadria de qualidade em um problema recorrente de vedação e funcionamento.
O alumínio possui um coeficiente de dilatação térmica considerável. Isso significa que, ao ser exposto a variações de temperatura — seja pela radiação solar direta ou pela queda térmica noturna —, o material expande ou contrai. Em uma peça única, como uma folha de janela ou uma porta de correr, essa variação pode parecer irrelevante a olho nu, mas, em perfis de grande porte, ela é suficiente para alterar o ajuste do conjunto dentro do vão. Quando o alumínio aquece sob o sol intenso, ele busca espaço para se expandir. Se a folga entre o perfil e a alvenaria ou entre os perfis móveis for mínima, o atrito aumenta, dificultando o deslize ou travando completamente o mecanismo.
O segredo para evitar problemas de funcionamento está na folga técnica calculada durante a montagem. Profissionais especializados seguem tabelas de tolerância que consideram a dimensão total da esquadria e a amplitude térmica da região onde o imóvel está localizado. Se o instalador ignorar esse espaço, o sistema trabalha sob tensão constante. Com o passar do tempo, essa pressão excessiva sobre o quadro e os acessórios pode causar o desgaste prematuro de roldanas, guias e vedações, transformando uma instalação que deveria ser fluida em uma fonte de manutenção constante.
A orientação solar do imóvel dita o comportamento das esquadrias. Uma janela voltada para a face norte, que recebe incidência solar direta por várias horas, sofrerá uma variação térmica muito mais agressiva do que uma peça instalada em uma face sombreada. Esse diferencial de temperatura não afeta apenas o funcionamento das peças móveis, mas também a integridade das vedações de borracha e escovas. Em locais com muita exposição, é comum observar que as borrachas de vedação sofrem um processo de ressecamento acelerado, justamente por estarem prensadas entre o metal que dilata e o vidro ou a alvenaria que permanecem estáveis.
Alguns sintomas indicam que a dilatação está superando a capacidade de ajuste do sistema. Se você percebe que a janela abre suavemente pela manhã, mas fica "pesada" ou apresenta atrito no meio da tarde, o culpado quase certamente é o comportamento térmico do alumínio. Outro sinal comum são os ruídos de estalo, conhecidos como dilatação de ajuste, que ocorrem quando o metal encontra resistência ao tentar se expandir ou contrair em relação aos componentes de fixação. Se esses ruídos forem acompanhados de falhas na vedação de ar ou umidade, vale verificar se os parafusos de fixação não estão impedindo o movimento natural que o perfil deveria ter.
Além do travamento mecânico, a dilatação altera a eficácia da vedação. Uma esquadria de alumínio que contrai excessivamente no frio pode deixar uma fresta milimétrica entre a escova de vedação e o perfil, comprometendo o isolamento acústico e permitindo a entrada de poeira ou correntes de ar. Em contraponto, a expansão excessiva no calor pode comprimir as vedações de borracha de forma tão intensa que o material perde a elasticidade, deixando de cumprir sua função de barreira assim que a temperatura baixa novamente. Esse ciclo repetitivo de "aperta e solta" acaba encurtando a vida útil de todos os componentes periféricos da esquadria.
Nem todo travamento de esquadria exige uma troca completa do sistema. Muitas vezes, o problema é resolvido com uma revisão simples nas roldanas e nos dispositivos de ajuste de altura, que permitem compensar pequenas variações dimensionais. Em instalações de grande porte, como portas de varanda ou vãos envidraçados, a lubrificação periódica com silicone em spray auxilia o metal a deslizar com menos esforço, mesmo nos períodos de pico térmico. Se o travamento for persistente ou causar deformação visível nos perfis, o ideal é contar com a vistoria de alguém que entenda de serralheria de alumínio para avaliar se a folga de montagem foi respeitada ou se há necessidade de reajuste nos dispositivos de ancoragem.